São Luís | Maranhão
 
   


João Bentivi
 



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12/08/2009
Dois Josés

Quando era articulista semanal do Jornal Pequeno, diário de oposição do Maranhão, em 04/01/03 e 11/01/03, escrevi duas matérias, respectivamente, UM BOM JOSÉ e UM MAU JOSÉ. O bom José tratava-se do professor, amigo e gênio José Maria do Amaral. O mau José era outro! O bom José havia falecido e, creio, estava e está nos limites celestiais. O mau José estava e ainda está vivo, vivinho da silva, muito vivo!

Quase sete anos após, o leitor poderá não reconhecer, na reprise dessas crônicas, o bom José, mas o que escrevi, então, sobre o mau José, guarda, creio, uma estranha atualidade.

UM BOM JOSÉ

 

        E agora, José? A festa acabou?

        São muitos “Josés”. Bons, maus, mas esse era um José especial: José Maria do Amaral.

        Não há, nesse momento, homenagem póstuma. Essas sempre têm um cheiro de hipocrisia. Quando era vereador, apresentei proposta outorgando-lhe o título de CIDADÃO LUDOVICENSE, que, salvo engano, foi aceito por unanimidade. A enfermidade, então, impediu-lhe de receber a comenda. A Câmara Municipal, pela pletora de atividades, não lhe fez a entrega, porém ninguém, ninguém mesmo, por méritos, foi tão cidadão dessa cidade, como ele.

        Não nasceu aqui, por certo. Era de Luzilândia, Piauí.  Por motivos que só a providência explica, seu pai, Zebino Pacheco do Amaral e sua mãe, Maria José Costa Amaral deixaram o Piauí e aportaram, nesse pedaço de chão maranhense, chamado Viana.

        Não eram poucos. Desse abençoado casal, treze filhos lhes nasceram. O menor em estatura e o maior, pelo exemplo, era o José.

        Abriu caminho para todos os irmãos, principalmente os mais novos. Foi interno no Colégio Maristas e, depois, estudante de Farmácia. Havia poucas faculdades naqueles tempos e, também, já era muito difícil passar no vestibular.

        O pioneirismo de José Maria foi fundamental. Iniciou o primeiro pré-vestibular maranhense, com um único professor: ele. Sabia de tudo!

        Tudo que eu possa falar sobre o Curso José Maria do Amaral é simplório. Falam melhor as histórias de milhares de alunos, que por lá passaram, encaminharam-se na vida e tiveram sucesso. Falam melhor as centenas de professores, que ministraram conhecimentos e aprenderam as mais nobres lições de um professor de vidas. São filhos incontáveis, que no dizer da Bíblia, referindo-se a Abraão, são tantos como as areias do mar. Com orgulho, sou um desses grãos de areia!

        O magistério universitário foi mera conseqüência. Galgou todos os degraus, atingindo a Cátedra, o máximo permitido, então.  Entrementes construía dois enormes edifícios: uma família exemplar e uma multidão de amigos.

        A construção familiar, é conveniente que se diga, foi a quatro mãos. Sem pieguice, coube a Deus colocar, ao seu lado, Léa Mendonça do Amaral, uma mulher sem arroubos, palavra mansa, prudente, inteligente, firme e, principalmente, colorida pelo amor. Amor a José Maria, aos filhos e a todos nós. No dizer paulino, “amor sem medida”!

        Em verdade, o idioma tem poucos adjetivos para descrição pormenorizada de dona Léa, entretanto a Bíblia tem a chave para se entender a verdadeira face do conjunto Léa e José Maria: “pelos frutos, conhecereis a árvore”.

        Conheço os frutos, um a um: Luis Roberto, Silvia, Flávia e Amaral Filho. Sempre me considerei como uma espécie de irmão mais velho desses meninos. De três, fui, também, professor. Disse tantas vezes, em conversas formais e informais, que José Maria e Léa, genética e socialmente, foram perfeitos: aproveitamento 100%!

        Flávia o substituiu, com louvor, na cátedra universitária. Silvia mantém o espírito de educadora. Luis Roberto e Amaral Filho são médicos, como José Maria um dia desejou sê-lo. Nos meninos, o foi, em dose dupla!

        E os seus amigos? São tão incontáveis quanto às lições ensinadas. Quantas lições!

        Não tive condições emocionais de ver José Maria no sofrimento da enfermidade. A última vez que o vi, foi após uma das cirurgias de amputação, de um membro inferior. Saí absolutamente abatido. Preferi manter e mantenho José Maria no mundo intocável de minhas lembranças.

        Vejo-o discorrendo sobre os modelos de atomística, concentrações, pHs, oxidações, reduções e, uma das suas jóias preferidas: radioatividade.

        Vejo-o discorrendo sobre os grandes da ciência, com o conhecimento dos sábios. Eram íntimos seus Pasteur, Arrhenius, Darwin, Linneu, Pascal, Rutheford, casal Curie, von Braun, etc.

        Vejo-o discorrendo sobre filosofia, história e religião. Nesse caso, o seu espírito irreverente, tantas vezes, atiçou a ignorância dos religiosos ortodoxos, com comentários não convencionais de determinados acontecimentos bíblicos.

        Era divertido, pois somente os idiotas e obtusos não entendiam que José Maria era um homem de fé. A trajetória de vida assim o indicava. José Maria era e se sentia, portanto, um dependente da providência divina.

        Pode soar lugar comum, mas, mesmo respeitando a dor familiar, advogo que a passagem para eternidade de José Maria deve ser vista dentro da grandeza de sua existência: é eterno na genética e no seu exemplo.

        Volto à questão inicial. E agora, José? A festa acabou? Creio que não, mas só terei essa resposta, quando estiver, também, na eternidade.

        Pelo sim, pelo não, para nós, que convivemos com José Maria, será fácil imaginá-lo, no mundo espiritual, saudando os anjos, com o indefectível: Bom dia, futuros doutores!!!

EM TEMPO: É provável que, na próxima segunda-feira, trate de “um mau José”.

 

                        UM MAU JOSÉ

 

        Na última matéria, tratei de um “bom José”: José Maria do Amaral, agora, na eternidade, com os anjos.

        Hoje tratarei de outro José, ainda entre nós, longe dos anjos, repleto de diabruras. Sem dúvidas: UM MAU JOSÉ!

        A sua existência é um mar de inautenticidade, disfarces e sofismas. Nunca será igualado. Ainda bem: um é demais. Dois seriam insuportáveis.

        A confusão tem início na origem. Ninguém sabe bem se nasceu em São Bento, se criou em Pinheiro, ou vice-versa. Se nasceu em São Bento e foi registrado em Pinheiro, ou coisa lá que o valha! O fato é que nasceu e disso ninguém duvida.

        Na sua origem, há um fato belíssimo, que faço questão de destacar: a sua mãe. É aquilo que pode ser reverenciada como uma santa em vida. Poderia, à moda do profeta Elias, ser transladada para o céu, sem demérito para nenhum anjo e com honras para a eternidade. O traquino José não puxou à mãe!

        Outro reconhecimento tenho que fazer: a grande  inteligência e  um colossal oportunismo. Com a benfazeja e pouco ortodoxa ajuda paterna, introduziu-se na política e fez sucesso. Sucesso nunca alcançado por qualquer outro brasileiro, em toda história da república.

        O diabo é que sucesso nunca foi sinônimo de coerência, seriedade e transparência. Sucesso nunca foi sinônimo de ideologia, correção, amor ao próximo. E pior, esse sucesso nunca foi transferido para aqueles que deveriam, por lógica, serem por ele alcançado: o povo do Maranhão.

        Aí, nesse quesito, reside um dos maiores problemas da velhice do Sarney: não pode desmentir a história. Por causa disso, verificamos quase uma histeria em apontar, como sendo obra sua, qualquer coisa boa que venha para o Maranhão.

        Chega ao cúmulo de adulterar a história e tentar tirar casquinha da iniciativa privada, como no caso da tal siderúrgica, que aportará na ilha de São Luís. É uma coisa absolutamente ridícula!

        Porém a realidade social do Maranhão é o maior out-door da incompetência e maldade dos quase 40 anos de domínio sarneisista. Qualquer número do IBGE, insuspeito, portanto, desnuda a terrível realidade.

Não há espaço para catalogar tantos indicadores negativos, contudo, há um, indesmentível: segundo o Censo de 2000, existe 63% de maranhenses abaixo da linha da miséria. A coisa é tão dramática, que não basta, para governar o Maranhão, que o indivíduo seja uma boa pessoa. Um bom cidadão.

        O Zé Reinaldo é uma unanimidade nesse padrão: toda classe política o reconhece como uma boa pessoa. Eu também. A questão é outra. O Maranhão reclama mais que isso. Reclama um rompimento total e absoluto com o modelo sarneisista. Ainda que dona Alexandra entenda isso, o Zé Reinaldo ainda não tem estatura e estrutura para dizer sim ao Maranhão e não ao Sarney.

        E tem razão. Sarney trucidou a todos que ousaram lhe desobedecer. É mau. Muito mau!

        Além de mau, em outro quesito o Sarney é inigualável. Nem o nosso Anolis, vulgarmente chamado camaleão, muda tanto de cor. No caso do Sarney, cor significa comportamento, postura, lado, ideologia, etc.

        Somente Deus, onisciente, pode dizer qual o espectro ideológico do Sarney. De acordo com a conveniência pode ser tudo e de tudo. Se for preciso, de manhã será católico, à tarde muçulmano e de noite, judeu. Nos intervalo do almoço, dará gloria a Deus e aleluias, como bom pentecostal e, à tardinha, estará em um terreiro de macumba, quem sabe, em um bom papo, com Bita do Barão. Talvez o Capeta, por proximidade, explique essa metamorfose!

        Com a agilidade dos símios, sabe a hora de mudar de galho. A sua última conversão ao petismo é emblemática. Agora, caro leitor, faça futurologia e imagine um cenário fictício, no qual, em 2006, o FHC se tornasse imbatível e voltasse à presidência. Dou um doce para quem indicar o primeiro político a abandonar o Lula. Se você apontou José Sarney, ganhou o doce!

        Para encerrar, vou me ater a uma declaração desse cidadão, nos jornais, logo no Ano Novo: “NÃO TENHO INTERESSE EM REELEIÇÃO PARA A MESA DO SENADO!!!”

        Vejam se podemos admitir uma coisa dessas: o sujeito nem espera o dia 2 e tasca uma mentira em todos os jornais, revistas e TV. De Lula ao José da Silva, do papa ao Saddam Hussein, todos sabemos que a maior aspiração do Sarney é continuar presidindo o Senado, inclusive, nesse desastre político-ideológico do PT, nada mais óbvio que o Sarney, na presidência do Congresso.

        E por que o Sarney mente e disfarça tanto? Vamos procurar, à falta de melhor opção, a resposta na filosofia, literatura e religião.

        Sócrates, na República, considera que a mentira, dita pelos governantes, pode ser considerada lícita, caso vise a um objetivo maior! Por aí, Sarney estaria absolvido, exceto no objetivo: a vida inteira, esse cidadão só teve objetivos menores!

        Baltasar Gracián, em A Arte da Prudência, revela: “o mentiroso sofre duas vezes: nem acredita e nem é acreditado”. Salvo engano, as declarações do senador Sarney, estão bem à vontade, nessa frase de Gracián, exceto pelo sofrimento. De tão lugar comum, creio que mentir não traz nenhum sofrimento ao vetusto senador.

        A Bíblia, por sua vez, trata muito dos conceitos mentira e verdade. Ambos cabem no Sarney: tanto por amar a mentira, quanto por desprezar a verdade. O texto bíblico é da lavra do próprio Jesus: “vós pertenceis ao Diabo, e quereis executar o desejo dele. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e é o pai da mentira” (Jo 8:44). E no Apocalipse, de São João, está escrito: “ficarão de fora os cães, os feiticeiros e todos que amam a mentira” (Ap 22:14).

        Pelo sim, pelo não, dentro do maior espírito evangelístico e cristão, tal como o profeta e por amar a tua alma, admoesto: te cuida, Sarney, muda tua vida, enquanto há tempo para o arrependimento!

Deus não é um Lula ou semelhante “Zé mané”, para que possa ser enganado! Além do mais, diferente de muitos tribunais terrenos, DEUS É JUSTIÇA!

 
cid luis - Bentinho, quede Dr. Helena Dualibe? que tu apontou como tão importante na composição com Castelo, tu defendeu e não teve uma secretaria. Tres Joões. Alberto, Melo e Castelo, analise. Quatro Luises. Ignácio, Fernando, Pedro e Cid.

João Bentivi - Cid, Helena Duailibe é uma pessoa de minha amizade, independente dos aspectos puramente políticos. Qualquer briga entre um titular e seu vice, em regra não é benéfica para nenhum dos dois. Quanto a minha defesa relativa ao Castelo, não esteve e não está escrito em qualquer lugar que seria em troca de secretarias: nem pedi e nem fui convidado e, a bem da verdade, se o Castelo tivesse que dar uma secretaria a cada um que colaborou com a sua vitória, a administração municipal estaria inviabilizada.Um abraço.

 
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