São Luís | Maranhão
 
   


João Bentivi
 



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09/02/2007
Deu a louca nas elites, graças a Deus

               

        Nunca pensei que veria. Vi. As elites maranhenses, como se num surto alucinógeno, perderam os comedimentos e, a rigor, só falta os líderes religiosos apresentarem suas opiniões, sobre o contencioso que responde pelo nome de vendas de sentenças.

        Tudo começou com o decano do TJ do Maranhão, desembargador Bayma Araújo. Não se sabe ainda por quê, nem o porquê, o homem disse alto e solene: tem juiz de primeiro grau vendendo sentença! Notícia extremamente velha, mas a hipocrisia de muitos ainda fez sair a pergunta: será? A mesma hipocrisia, à boca pequena, concordava!

        O juiz presidente da Associação Maranhense dos Magistrados, Gervásio Protásio dos Santos Júnior, não ficou por baixo e, no mesmo ritmo de tango, retrucou, mais ou menos nesses termos: os mesmos bandidos do primeiro grau existem no segundo. Em linguagem comum, disse que cada grau tem seu lalau!

        O Ministério Público bem que tentou fingir que era surdo e mudo. A pressão popular fê-lo se reunir e os mais de 200, entre promotores e procuradores, fizeram uma assembléia geral que atingiu o número recorde de 10 solitários defensores da lei e da ordem. Dessa reunião saiu uma nota oficial que importa exatamente por nada ter dito. Não disse!

        O poder executivo, quer estadual ou municipal, não deseja nem onda e nem marola: não afirma e nem desafirma um til sequer. Nesse momento, a tese da independência dos poderes é mais que bem vinda. É refúgio!

        De repente, o deputado federal Pedro Fernandes, reconhecidamente um parlamentar honesto e inteligente, com quem tive a honra de ser vereador, em mesma legislatura, sugeriu que a Assembléia Legislativa do Maranhão instalasse uma CPI para fiscalizar as denúncias do Judiciário Maranhense.

        Antes que qualquer deputado falasse, o respeitável juiz Ronaldo Maciel, ex-presidente da AMMA, deu uma caçapada rigorosa. Disse: são poucos os deputados que não têm dedo sujo. Dedo sujo, nesse caso, significa corrupção. Imaginei: teremos uma nova Faixa de Gaza, no Maranhão, pois os brilhantes deputados estaduais não receberão uma bordoada dessas sem retaliação. Pelo menos questionarão sobre o nome dos atletas do Dedo Limpo e do Dedo Sujo Futebol Clube.

        Que nada!  A Faixa de Gaza que imaginei está muito semelhante aos chás da ABL. Para não ser injusto, ouviu-se a voz solitária de dois deputados estaduais maranhenses. Pisando em ovos, é claro.

        Do empresariado do Maranhão, nem uma vírgula. Das lideranças religiosas, como afirmei no início, nem um pio. Do povo, necas de catibiriba.

        Com esse comprometedor silêncio daqueles que por dever de ofício ou de consciência deveriam se indignar, pode-se imaginar que um juiz corrupto não é nada demais. Seria, por assim dizer, algo corriqueiro?

        O juiz corrupto, por sua vez poderia se defender com notáveis argumentos. Desde os mais simplórios como “o errar é humano”, ou o corporativista, “quem nunca errou”, ou o teológico, “errar é do homem e o perdão vem de Deus”. Poderia ser inovador e dizer, mais ou menos assim, em um fictício Tribunal da Ética e dos Bons Costumes:

        “Tudo bem, sou corrupto, mas a minha corrupção nunca foi solitária. Ao meu lado, sempre estiveram um membro do Ministério Público, os serventuários da Justiça, os advogados, que por dever, moral ou ética, deveriam observar e, em caso de dúvida, pelo menos pedir um esclarecimento: nunca duvidaram de nada”.

        “Nunca corrompi para um pobre. Os beneficiários dos meus atos foram sempre pessoas representativas da sociedade, empresários bem sucedidos, banqueiros, entes públicos e profissionais de alto calibre. Donde se conclui que a corrupção cometida por mim teve sempre o beneplácito das classes dominantes, do mesmo modo como fazem os outros poderes. A corrupção que cometi, portanto, foi ato típico de qualquer representante das elites e  teve como finalidade manter o equilíbrio social”.

        “Finalmente, ainda diria o juiz corrupto, sou corrupto para manter a integridade familiar. Da minha família. Dar uma formação adequada aos meus filhos e deixar recursos para mais de duas gerações, com a finalidade de evitar que possam ser pobres e, com a pobreza, enveredarem por caminhos contrários à lei e bons costumes”.

        Deixemos de sonhar. Não há corrupto solitário. Um corrupto nunca estará sozinho. E um ou outro que terminar nas malhas da lei é a exceção que confirma a regra, ou o velho “boi de piranha” que salvará a boiada.

        Aqui no Maranhão, entre centenas de casos horríveis e horripilantes, escolheram uma fraude absolutamente imbecil, daquelas que deixa marcas, pegadas, digitais, DNA e fotografias, de um desembargador, hoje aposentado, para ser o caso emblemático de que a justiça vai ser feita.

        Terminará sendo uma injustiça. O “boi de piranha” só é aplaudido pela boiada, para quem observa, o simples bom senso informa tratar-se de uma baita injustiça.

        Enquanto houver  “boi de piranha”, a piranha, aliás, a justiça não encontrará a boiada!

 

       

 
João bentiví - Jorge da Belira, a respeito de tua pergunta, no blog anterior, resumirei: a) O recurso da Roseana argumenta que houve uma fraude no primeiro turno, mas ela deseja a anulação do resultado somente do segundo, o que de cara é uma malandragem; b) Caso o Jackson vença a batalha judicial, a minha petição perde o objetivo; c) Caso o Jackson perca e tenha os votos anulados, a minha petição se revertirá de muito valor, pois o que peço é simples: peço a nulidade do pleito e nova eleição. d) O resto é esperar. Um abraço, Bentiví

JORGE DA BELIRA - Excelente artigo, meu caro Dr. Bentivi. Foi fundo na "ferida"... E o título é simplesmente genial. Nossas elites enlouqueceram, mesmo! Obrigado também pela resposta sobre sua petição ao STF. Cordiais saudações. (JORGE DA BELIRA).

 
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