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26/03/2011
Os batráquios e o bípede

Quarta feira desta semana, dia 23, o amigo Antonio Marão, amigo desses singulares, com quem a gente ganha horas de bom papo em vista da prolixidade de conhecimentos, educação refinada, colocação correta dos termos, coisas em desuso, exceção quando deveria ser regra, emprestou-me dois livros – BANZO E CRÔNICAS – do maranhense universal Coelho Neto, o primeiro editado em Portugal, na cidade de Porto, em 1912 e o segundo em São Paulo, no ano de 1923. Duas relíquias, como se vê, pelo autor e pela imotalidade da obra.

Para quem não sabe quem foi Coelho Neto, e bota quem não sabe nisso a julgar pelo descaso com que o tratam principalmente os conterrâneos, o autor caxiense, filho de comerciante português com índia civilizada, nasceu em 21 de fevereiro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1934 na rua que hoje tem seu nome.

Nesse ínterim, construiu um das mais brilhantes carreiras intelecutais do país a do mundo, sendo autor de mais de uma centena de obras, em todos os gêneros literários (poesia, prosa, conto, cronica, teatro, crítica, traduções, etc) sendo, além disso, um dos mais aplaudidos palestrantes que tivemos, respeitado em todo o mundo.

Disse dele a crítica européia que “a obra de Coelho Neto, por sí só vale uma literatura.” Ocupou os mais destacados cargos publicos de sua época, foi polemista do mais elevado quilate, e, embora auto-didata (sem o hoje imprescindível mas desimportante canudo universitário) representou o Brasil em várias missões diplomáticas com invulgar brilhantismo. Ocupou a cadeira nº 02 da Academia Brasileira de Letras, pratroneada pelo poeta Álvares de Azevedo.

Sua extensa obra foi traduzida em onze idiomas, tornando-o conhecido mais mundialmente que em seu torrão natal. Prova disso é que hoje seus livros são encontrados apenas nos “sêbos”, não fazendo parte do editorialismo atual, onde quase nada de bom existe para o aprendizado pela leitura, fruto de uma política que insiste em deseducar para eternizar-se no poder.

Mas é isso mesmo: em tempos de Adriano, Pelé é onipresente; os acordes suaves de Strauss passam ao largo das ouças do axé; a voz dos que cantam (ou cantavam) com a garganta, não consegue penetrar nos ouvidos acomodados com as flautulências dos saracoteantes quadris de silicone; os gols de bicicleta são invisíveis aos que se acostumaram a ver “bicudos” sem arte; e, para completar, a beleza da mulher, sem retoques, ficou mais indigente do que está, com a morte de Elizabeth Taylor, depois de Sophia Loren, em nosso masculino entendimento, a mais bela do mundo. Bom para os anjos que a verão de perto!

Triste, mas conclusivo: em terra de batáquios, os bípedes são tratados desdenhosamente. Talvez por estarem acima! Coisa de raposas e de uvas ...

 
 
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