São Luís | Maranhão
 
   


João Bentivi
 



O danado Pedro
O TRE no olho do furacão
A Primeira Ninguém Esquece
Resposta ao Governo do Maranhão
O poço não tem fundo
Metropolizar sem conversa fiada
Dois Josés
Resposta ao Doutor Pêta
O mundo é do bispo
Abrindo Caixas Podres
A volta midiática do aborto
Nota solta 1
Deu a louca nas elites, graças a Deus
Vendilhões da Justiça
Dino sem máscara
Como é bom ter o Lula
A felicidade se chama Obama
Em nome de Obama
É hora de caldo de galinha
Debates e orgasmos


Páginas: 1  2  3  >>  >>|

  Resultados: 1 a 20 de 46 Páginas

03/11/2008
Em nome de Obama

Essa matéria foi postada no portal do Mhario Lincoln (www.mhariolincoln.jor.br) e achei por bem, no dia da eleição americana, mostrar esse meu posicionamento aos meus conterrãneos maranhenses.

 

EM NOME DE OBAMA

 

         É divertido ler os comentários sobre o que escrevemos nesse portal. Muitos acabam estimulando novos temas. Há algumas semanas, quase sem querer, enveredei na discussão de questões étnicas, a ponto de minha irmã, professora Zefinha Bentivi, ter feito uma matéria belíssima e séria, sobre o assunto e, para não perder a emoção, gerou o assanhamento de muitos que se acreditam donos de todos os valores da negritude.

         Assim, por repetidas vezes, tenho sido instado a escrever sobre o cidadão americano Barak Hussein Obama. De início, não me dei conta. Depois, entendi que era provocação! Não escrevi! Não aceitei!

         Mas fui enchendo o saco de maneira contínua e constante com a cobertura que a imprensa brasileira dá para a campanha presidencial nos Estados Unidos. É aquilo que em Pedreiras chamávamos de “cantiga de grilo”. Não pára e ninguém suporta!

         Para começar, o velho maniqueísmo de tantos carnavais: há um candidato do mal – McCain – e um candidato do bem – Obama. O referencial não poderia ser melhor escolhido – Bush!

         De novo, como se dizia na minha Pedreiras: “me comprem um bode”! Ser pior que Bush seria a hipérbole da sacanagem com a América e com o mundo. Ainda que quisessem, nem McCain e nem Obama repetiriam o tal Bush, que conseguiu ser pior que o próprio pai, o que, a rigor, é um atenuante: quem puxa ao pai não rouba, herda!

         De qualquer modo, por razões mais emocionais que racionais, a obamamania varre o mundo e assola o planeta. Aspectos corriqueiros de qualquer ser humano, como visitar a avó enferma o faz merecedor de elogios, tal qual uma madre Teresa ou irmã Dulce em uma obra assistencial. Encho-me de inveja e me insurjo com a ingratidão do mundo. Morei a vida inteira com vovó, assisti-lhe como médico até seus últimos minutos e, há muitos anos, trouxe meu sogro e minha sogra para desfrutarem comigo o mesmo aconchego do meu lar. No meu caso, nenhuma linha sequer.

         As redes de televisão, agora sem martas e kassabes, voltam-se para a América com rencas de repórteres, para cobertura minuto a minuto do evento americano. As perguntas são as mesmas e a principal é de uma obviedade nelsonrodrigueana: o que representa a eleição de Obama para o Brasil?

         Ora, senhores, para dirimir qualquer dúvida, caso fosse americano votaria em Obama. Ponto final! Sendo brasileiro, por mais que me esforce, não consigo ficar emocionado nem com Obama, nem com McCain. Essa histeria orgástica de muita gente, com o fato de Obama ser negro, para mim é uma grande tolice. Nunca conseguirei achar que alguém é bom por ser branco ou ser negro, o que não significa jamais achar que o mundo e o Brasil sejam justos com os negros, eu incluso.

         Transformar a eleição do americano Obama em catarse coletiva da negritude é um profundo despropósito. Os companheiros assanhados da obamamania, antes de ficarem arrumando diferenças entre Obama e McCain, deviam olhar aquilo que é mais fundamental entre eles: suas semelhanças. AMBOS SÃO AMERICANOS!!!!

          Um e outro, quando se confrontarem um interesse americano e brasileiro, optarão pela América e nada mais. O Lula é tão íntimo de Bush, que, em certa feita, telefonou para o Bush (palavras de Lula) e disse: Bush, meu filho, dá um jeito nessa merda que criaste... Pelo visto, será também íntimo de Obama, tendo até declarado apoio. Alguma coisa vai melhorar para o Brasil? Coisa nenhuma!

         Esse filme é antigo. No Brasil colônia, nossas elites também eram fascinada pela corte portuguesa e levaram bordoadas sem fim. As nossas elites, incluindo os que se acham avançados ideologicamente, continuam fascinados pelo opressor, agora com o nome de Estados Unidos. Essa admiração religiosa pela negritude e origem africana de Obama é, nada mais, nada menos, a do escravo que ama a chibata.

         Em verdade, torço por Obama e votaria nele, repito, mas, nos últimos meses, o negro que está nos meus sonhos não se chama Obama, chama-se Obina. O diabo é que o meu sonho tem sido mais pesadelo: o bólido do Flamengo é muito pior do que o camaronês Eto’o. Ainda assim, lasquem-se McCain e Obama e viva o Flamengo!

 

 

 
lafontaine - Camarada você é fantástico! como sabe usar bem as palavras. Parabéns pelo brilhante texto.

 
Páginas:
Resultados: 1 to 1 de 1