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11/12/2010
José de Ribamar Sousa do Reis

Conhecemo-nos ao longo de mais de cinco décadas, nos idos ginasiais liceistas, quando as coxas e os rebolados de Maria Antonieta Pons e Ninon Sevilha embalavam as masturbações pré-adolescentes, após matinais de filmes mexicanos no Teatro Artur Azevedo.

Horrorizávamo-nos, com as noticias em O Cruzeiro, da tristemente famosa curra de Aída Curi, perpetrada pelos “transviados” Ronaldo e Cássio, hoje fato corriqueiro entre os jovens drogados, a caminho do nada.

Mais tarde, já adultos, trabalhamos juntos na firma Vega Engenharia e Comercio, hoje extinta, à rua João Henrique, próximo ao Mercado Central, e éramos participes da boemia sadia provinciana, solidários com o luar, as madrugadas, copos e meninas alegres das pensões da ZBM, mais tarde retratadas em um dos seus livros.

A fascinação pela literatura, por São Luís, pela Praia Grande, pela cachacinha nativa do sêo Riba, pela cervejinha gelada com arroz de cuxá e torta de camarão do Basílio, amiudadas vezes nos apanhou, horas e fio, papeando na antiga Casa das Tulhas, em companhia de tantos outros amigos.

Poucas pessoas conheci com amor mais intenso por sua terra e por sua gente como o Zé Reis (assim o chamávamos). Raríssimos – ou até nenhum – escritor desta e de outras gerações, tenha dedicado tanto sua literatura e seu talento para promovê-las.

E isto se prova na sua bibliografia de quase vinte livros publicados, que vão de figuras como Newton Pavão (pintor), João Chiador (cantor), aos municípios de São José de Ribamar e Raposa, às prostitutas de ZBM, e, sobretudo, sua musa e paixão: a Praia Grande, com seus casarios, sua historias, e, lamentavelmente, sua melancólica derrocada, rebatizada de Reviver.

Mas essa figura, que ocupou cargos públicos de relevância, ao contrário de muitos, morreu pobre, morando em casa modesta na Raposa. Humilde, como devem ser os sábios, era, é, e será sempre lembrado por seus pares, sábios e humildes como ele.

Talvez por sua esquiva às reverências mútuas e petitórios, o que só lhe alicerça a dignidade pessoal e literária, era visto de esguelha por alguns, embora querido e respeitado por ninguém menos que Gilberto Freire, de Casa Grande e Senzala.

Coisas como o desdém da raposa pelas uvas além de si! Prossiga, amigo e poeta, na sua jornada, que a efemeridade da vida é circunscrita apenas aos que não souberam fazer dela uma lição de imortalidade.

As ameias de Acrópole, infelizmente, ficaram mais vulneráveis com sua ausência.

E nossa Atenas, apenas mais “Jamaica”!...

 
 
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